Segundo o governador, a "proposta é ampliar muito a infraestrutura, a logística e os serviços públicos por meio de PPP. Ou seja, fazer mais, fazer melhor, com menor custo e trazendo o setor privado para participar, seja da ampliação da logística, seja da prestação de serviço para a população, ou nas áreas de meio ambiente e sustentabilidade"
A respeito destas novas formas de gestão do patrimônio biológico e de conservação dos recursos naturais do nosso território podemos fazer algumas breves reflexões. Até que ponto os objetivos da iniciativa privada (lucro) são comuns aos objetivos das Unidades de Conservação (conservação e preservação) ?
Sou a favor sim da autonomia financeira dos Parques e outras áreas de proteção. Sei que 90% destas contam com recursos aquém da sua real necessidade, mas será que a inserção de interesses privados nesta gestão é positiva? Teoricamente, creio ser possível que isso ocorra. Existem empresas interessadas de fato na manutenção da biodiversidade e na proteção de ecossistemas, mas na prática vejo como uma maneira de auferir lucro através da apropriação dos ambientes naturais sem a real preocupação em se conservar ou preservar determinados atributos essenciais à estes ambientes.
Explicando melhor:
Para se auferir maiores lucros de uma Unidade de Conservação (cujo objetivo deveria ser a preservação da natureza - uma vez que os outros 95% do território podem ser explorados economicamente) deverá haver um maior número de consumidores deste parque, os famosos turistas. Com o aumento dos turistas, os impactos ambientais se elevam, assim como as necessidades de hospedagem, roteiros, alimentação, saneamento....
Aumenta-se também a necessidade de reinvenção do turismo, isto é, de se criar mais do mesmo. Vejo neste ponto a contradição dos interesses públicos e privados. O privado deve buscar reinvenções, propor novas trilhas, passeios, atividades... novos produtos para serem consumidos. Enquanto isso, a Unidade de Conservação deve buscar a estabilidade do seu ambiente, restringindo a visitação massiva, protegendo os atributos naturais...
Creio que a ação da iniciativa privada vai tornar os ambientes (relativamente) naturais em ambientes vendidos-como-naturais.
| Asfaltamento de Trilhas e a espetacularização do natural vendido ao turismo de massa - Yellowstone National Park, USA |
Dentro da PPP, o público ainda tem o poder de decisão sobre a atividade do privado (pelo menos legalmente). Desta forma, pode-se pensar então que determinadas Unidades de Conservação tem o poder de restringir a apropriação do turismo, limitando institucionalmente ou economicamente a visitação. E esta conclusão, baseada no recente texto do Sakamoto, pode significar também a elitização do turismo em Unidades de Conservação. Ora, se não será possível aumentar o número de visitantes, pode-se aumentar o lucro extraído de cada visitante.
A reinvenção que o turismo necessita se expressa, desta vez, com a sofisticação da infraestrutura oferecida ao visitante.
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O decreto do governador do estado de São Paulo pode sim gerar várias melhorias estruturais às Unidades de Conservação Paulistas, mas a que custo? Seu objetivo continua sendo a preservação e a conservação? Quem será este elemento privado? Serão associações comunitárias, agências de turismo, empresas diversas? Qual contrapartida cabe ao Estado?
Por quê a iniciativa privada não se preocupa em recuperar, proteger e explorar o turismo de áreas não protegidas? No próprio estado de São Paulo ainda existem diversas áreas não protegidas que vem sofrendo diversos tipos de pressões urbanas e agrícolas. Por quê não trabalhar nestas áreas? Obviamente por quê é mais caro. Ou seja, a questão obviamente continua sendo o lucro, a maior rentabilidade.
Pela apropriação da paisagem (quase) natural o privado vai mais uma vez se valer do público para obter lucro. É uma lógica que, infelizmente, deve se sobrepor ao objetivo central da conservação dos poucos espaços protegidos do estado de São Paulo.
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| Parque Nacional da Tijuca (Corcovado) (fonte) |
Gostaria só de agradecer à Eloísa Torres pela sugestão de leitura dos dois textos principais deste post.
Te amo Namorada.
Antonio Afonso




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